Não dá mais

terça-feira, 7 de maio de 2013

        "É fácil se arrepender e voltar com flores e muito amor depois que o ato foi cometido. Fácil pedir desculpas e querer que tudo volte a ser como era antes. Mas o que você talvez não saiba (e nem sinta) é a dor que eu senti, a má sensação, a vontade constante de chorar. Talvez você não saiba das noites que eu perdi e nem da quantidade de vezes que precisei sorrir quando na verdade só queria chorar.
         Você não deve nem ter ideia do quanto aluguei as minhas amigas pra falar de você enquanto elas afagavam minha dor. Tive uma vontade grande de te matar por você ter feito o que fez. Sinceramente, quis que você morresse. Mas me contive em te dizer apenas que acabou, que não há outra saída a não ser acabar.

        E agora você quer mesmo voltar e fingir que nada aconteceu? De verdade? Ponha-se no meu lugar, meu amor, veja a falta de respeito que houve da sua parte e me diga se você gostaria que eu tomasse essa atitude. Não seja hipócrita e não faça comparações. Apenas se pergunte.
        Ainda assim você quer voltar, mas sabe que não daremos mais certo, pois o carinho, a cumplicidade e principalmente a fidelidade foram perdidos. Meu amor, como eu gosto de você, como eu queria que nós dessemos certo. Como eu queria que nosso namoro fosse sempre naquele bom clima do primeiro beijo, ai como eu queria! Acho que nos perdemos no meio do caminho e agora não há mais condições de nos achar pois já se consumou o que eu mais temia. Não adianta mais "chorar sob o leite derramado".
        Queria que você soubesse que eu já parei de ouvir nossas músicas e frequentar nossos lugares e dormir em nossos lençóis. Parei de sentir seu cheiro e já me acostumei com a ausência da sua mão entrelaçando a minha. É difícil dizer mas agora não dá mais, me parece que você não pensou em mim e agora é minha vez de parar de pensar em ti. Diferente da sua atitude de não pensar em mim por apenas uma noite, eu deixarei de pensar em ti de uma vez por todas. O clichê de "foi bom enquanto durou" encaixa-se perfeitamente em nós e você, mais do que ninguém, sabe o quanto me fez feliz. Mas não dá mais.
        Adeus."

Amanda Pacheco

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quarta-feira, 24 de abril de 2013



  "Quem é você e o que você havia se tornado, por Deus? Sem serenidade nenhuma no olhar, você havia se tornado o que eu temia. Você havia se tornado algo que não era mais meu. Seus lábios que possuíam um vermelho intenso natural haviam sido trocados por um branco ressecado, da cor de sua pele que já não era mais bronzeada e macia. O que estava acontecendo? Parecia tão frio que estava se tornando um estranho.
Seu peito já não me parecia mais familiar, talvez porque seu coração não fosse mais familiar. 
    Eu já não sentia nossos corações em sintonia e nem queria mais que isso acontecesse. Já me sentia mais distante e nem te procurava mais pra saber se você estava bem. Com tantos problemas, eu já nem me importava mais se você havia tomado os remédios ou se estava se alimentando bem, eu apenas queria você longe de mim. Estranhamente, eu já não ficava esperando que você ligasse e muito menos queria que o fizesse. Apenas queria você em seu lugar, se este fosse longe de mim. O que era familiar, acabava de tornar-se estranho e o mais engraçado de tudo isso era que eu já havia me adaptado a essa mudança. 

   Talvez eu tivesse me tornado a estranha."

Amanda Pacheco

De poeta eu tenho um pouco...

segunda-feira, 8 de abril de 2013




"E no meio de tanto pesadelo
Eu não conseguia me mexer
Teu olhar cruzava o meu
E tu não conseguia aparecer

Tentei até acordar
Pra sentir tua respiração
Mas agora era tarde
Tu tinha saído da minha imaginação

E agora?
O que fazer, Deus?
Como vou viver
Se teus laços não se enroscam mais nos meus?

Agora é hora de acordar
E chegar em mais um domingo
E ver que tudo não passou de um pesadelo
Você está comigo."

Amanda Pacheco

Mutilação

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

"Foi difícil, mas aos poucos consegui ir arrancando cada parte de você que havia em meu corpo.
Primeiro os braços: aqueles braços que só serviam pra afagar tuas dores e pra abraçar-te quando você dormia. Os braços no sentido figurado, os que só serviam pra te acariciar e colocar seu cabelo pra trás quando o mesmo caia no olho. Aqueles braços que eu fiz questão de envolver no seu corpo quando você voltou de viagem.
Depois as pernas: as minhas pernas que só caminhavam junto as suas. As pernas que se envolviam nas suas na hora em que íamos dormir. Aquelas pernas que você costumava massagear enquanto assistia o seu filme favorito. As pernas que você adorava elogiar o quanto são lisinhas.
Depois foi a hora de mutilar a boca: Uma boca que só servia pra te dizer o quando você era especial pra mim e o quanto eu amava estar ao seu lado. A boca que te beijava. A boca que tocava o seu pescoço enquanto minha cabeça estava encostada em seu ombro. A boca que te fazia bem
Era hora dos olhos: não sei porque mas os olhos foi a parte mais difícil, afinal, era por eles que eu podia admirar a sua beleza. Era através dos meus olhos que eu percorria cada centímetro do sorriso mais lindo que o mundo já contemplou. Através dos meus olhos eu podia acompanhar cada passo seu, cada reação e cada olhar que se cruzava com o meu. Não queria me desfazer dos olhos que compreendia cada vontade sua, não queria mesmo. Mas como era necessário, fiz.
Agora era a vez do nariz: um nariz perito no seu cheiro. Aquele que reconhecia que você se aproximava há quilômetros de distância, aquele que percorria sua nuca pra decorar seu cheiro. Consegui, mas era hora de acabar com isso.
E por último, mas não menos importante, chegou a vez do coração: meu Deus, como fazer pra arrancar de mim um coração que batia por você? Aquele coração que doía tanto se você não ligava, ou se reclamava. Um coração que era seu, somente seu. Como é que eu iria arrancar aquele coração que estava em sintonia contigo em todas as horas que eu deitava sobre seu peito? Rezei muito pra conseguir me separar por inteiro de você.
No fim das contas, o que eu estava me tornando era apenas eu. Sem você. Meus atos só falavam sobre mim, eu só dependia de mim pra chegar ou sair. Depois da mutilação de você, notei que ser apenas eu valia muito mais a pena. Só assim eu conseguia ser 100% eu. E mais ninguém. E era isso que eu queria."

Amanda Pacheco

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

"Você não sabe o quanto eu me esforcei pra hoje estar aqui, sorrindo. Não sabe quantas lágrimas tive que derramar pra que agora pudesse estar falando sobre você. Você não sabe o quanto foi difícil ter que segurar o choro enquanto via você distribuindo felicidade. Você não sabe o quanto me fez sofrer, o quanto eu precisei juntar forças pra não ficar no fundo do poço. Você não sabe que precisei rezar muito pra te esquecer. Você não sabe o quanto chorei no travesseiro. Você não sabe que deixei de escutar músicas que amava, mas que lembravam você. Você não sabe quantas vezes deixei de me divertir porque não conseguia tirar meus pensamentos de ti. Você realmente não sabe o quanto eu quis apenas poder voltar para os seus braços. Mas você não sabe como foi doloroso ter que me desfazer dos seus pertences que ficavam na minha casa. Você não sabe. 
E agora você acha que é simples chegar aqui como se nada tivesse acontecido? Você realmente acha que vai ser fácil abrir os braços e dizer que eu não via a hora da sua chegada? Depois de todo esse esforço você ainda acha que é o centro das minhas atenções? Sinto muito querido, mas seu tempo já acabou. Sua oportunidade de me fazer feliz não existe mais, meu amor. Pare de olhar pra si e olhe ao redor e veja o quanto as coisas mudaram. Não sou mais aquela ingênua apaixonada que você deixou pra trás sozinha, não é? Minha cabeça mudou, minhas ideias mudaram, eu mudei. E devo isso a você. A todo o rancor que consegui acumular. Rancor sim, lógico que há rancor de quem me fez sofrer.
Agora você quer mesmo voltar? Agora que viu que ninguém te amaria mais que eu? Agora que lembrou de uma mulher que sempre fez de tudo pra te ver bem? Acho que você voltou na hora errada, há uns meses atrás talvez eu até aceitasse seu retorno, feliz até demais. Mas agora que eu coloquei minha vida no lugar novamente você quer retornar? Criei uma coisa boa que comumente é chamada de "amor-próprio", e ele me ensinou que o passado não pode interferir no presente. Estranho né? Aposto que você pensou que agora estaria dentro do afago do meu abraço, mas não está. Você já se deu conta de que fez besteira? Nessas horas é bom parar e fazer análise de consciência. Pra pensar que era pros meus braços que você corria. Que era no meu colo que você adormecia. Que era eu todo o tempo alisando seu peito enquanto você tinha crise de asma. Era eu. Você preferiu se aventurar por aí, sem rumo.
É até engraçado pensar que agora você quer voltar. Depois de tanto tempo longe você quer que as coisas voltem a ser como eram antes. Sinto muito, querido. Agora quem não quer se envolver sou eu, estou muito feliz me relacionando com quem me merece. Eu e meu amigo "amor-próprio" não queremos mais você. Um beijo!"

Amanda Pacheco

Happy end

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

"(...)Eu me sentia como se estivesse despencando de um abismo.
Todos os dias, ao acordar eu podia presenciar aquele sorriso lindo, cheio de vida e de amor pra dar. E eu fazia questão de retribuir, na mesma intensidade. Éramos perfeitos. Um cuidava do outro, queria o bem, chorava junto, ria junto. Era tudo junto. Era como se nós fossemos um só. Eu sentia como se fossemos um só. Nós saíamos e voltávamos juntos, sabíamos dos problemas um do outro e os enfrentávamos juntos. Cada dia mais eu te amava e queria estar perto de você. E parecia que essa era a sua vontade, também, então eu não me importava de me entregar de corpo e alma pra você. Tínhamos várias canções que diziam muito sobre nós e de vez em quando até trocávamos umas surpresas.
Com o tempo, já não me importava mais sobre aonde você estava e com quem estava, eu apenas confiava em você e sabia que ao final de cada dia você ia chegar me contando tudo o que tinha passado em tal dia, como sempre fazia. E você sempre chegava. E sempre me contava. E sempre, antes de dormir, me beijava a  testa e dizia baixinho, entre o beijo: te amo. Fui me acostumando com essa rotina e sempre esperava você dizer que me amava pra que eu dormisse. E você dizia, diariamente entre o beijo: te amo. Comecei a perceber que os príncipes sim, existem. Já era sua. Meu coração era inteiramente seu, não sei se seria capaz de viver emocionalmente sem ouvir o meu "te amo" diário. Mas eu não tinha mesmo que me preocupar com isso porque eu já havia me acostumado com a ideia de que teríamos o nosso happy end. 
Mas, como nada dura pra sempre, lentamente senti você desgrudando de mim, ainda achando normal pois nosso grude já envolvia anos e mais anos. Eu pensava que era normal você não estar colado em mim vinte e quatro horas por dia. Eu não percebi que realmente você vinha se afastando de mim. Que você já não me dava mais satisfações de onde estava e de que horas ia chegar. Eu me lembro bem que chorava feito uma criança quando você não estava em casa pra me dar um beijo de boa noite na testa seguido de um "te amo". Aos poucos notei que já não era normal esse seu sumiço. Mas foi tarde demais. Quando me dei conta que você estava escorrendo por entre meus dedos, você já estava de frente pra mim me dizendo que o que havia entre nós dois tinha que acabar. Não sei bem quais foram suas palavras porque eu não queria mais ouvi-las. Não gritei, não me descabelei, não implorei pra que você ficasse. Eu comecei a acreditar que era o fim do meu happy end.
Mas eu me sentia como se estivesse despencando de um abismo."

Amanda Pacheco

Só hoje...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Hoje, de forma alguma eu quero externalizar minha felicidade, não quero que ela seja destruída pela inveja que atualmente é tão constante e atenuante. Hoje quero que minha felicidade seja só minha, e de mais ninguém, não quero compartilhá-la nem com minha sombra para que não haja o risco de perder todo o encanto que tal felicidade está me proporcionando.
Hoje, talvez eu queira me tornar sua. No silêncio que abafa minha felicidade, quero que ela apenas aumente ao seu lado;quero que você seja o primeiro a aproveitar esse meu momento plenamente e silenciosamente feliz. Admito que hoje foi um dia surpreendente pra mim. Hoje foi um dia em que você conseguiu mover o canto dos meus lábios  quando nenhum outro alguém havia conseguido. Falar com você trouxe paz ao meu coração; me deu uma calma que nem o mais poderoso calmante teria dado. Hoje eu vi que ter um pouco de você a cada dia me faz sorrir. E é isso que eu realmente quero. Que a cada dia eu possa ter mais de você e vice-versa. Que nós dois possamos estar juntos e que o doce das suas palavras contamine meus amargos pensamentos quando eu estiver num dia como hoje, estressante. Que eu possa morrer de rir enquanto você morre de ciúme. Que possamos nos entender como ninguém mais nesse mundo consegue. Que nossos abraços sejam eternos e que nossos lábios não queiram se separar jamais. Que sejamos doce (como já diria o meu querido Caio Fernando Abreu). Que seja doce nossa troca de olhares todas as vezes que nos encontrarmos (se for como a primeira vez, melhor ainda!). Que nossos defeitos se completem assim como as nossas qualidades o fazem. Que sejamos certos um pro outro. Que sejamos saudade.
E por falar em saudade... Que saudades suas. Uma saudade com sabor de satisfação por ver que você não entrou no meu caminho em vão. Então, só o tenho a dizer num dia atordoado como o de hoje é um grandessíssimo obrigada. Não saia da minha vida."

Amanda Pacheco






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