Os outros são os outros

quinta-feira, 31 de outubro de 2013


     "Me disseram que ele era talvez o homem mais bonito do mundo. Com aproximadamente 1,80m de altura e pele branca, talvez seu cheiro pudesse grudar no corpo de quem passasse por perto. Custei a acreditar que nessa vida houvesse alguém mais bonito do que Johnny Deep, Vin Diesel ou Richard Gere, tanto é que não acreditei. Foi difícil acreditar que alguém pudesse ter um sorriso mais bonito do que o de Reynaldo Gianecchini ou um olhar mais penetrante que o de Chris Evans.
     Não acreditei quando me contaram. E demorei a acreditar quando te vi. Demorei a acreditar no tamanho da sua beleza enquanto não trocamos nenhuma palavra. 
     Você talvez não fosse perfeito fisicamente.
     Mas havia no seu rosto uma feição de menino-homem que se preocupa se eu já me alimentei hoje ou a velocidade com que eu dirijo meu carro. Seu sorriso -que me é intrigante, diga-se de passagem- , trazia consigo uma paz ímpar, que me fazia repensar sobre o quanto a vida havia sido generosa comigo por poder contemplar seus lábios se curvando pra cima todas as vezes que me via. Seu olhar me dizia coisas que jamais poderia (ou conseguiria) ouvir da boca de outro. E que rosto. E que sorriso. E que olhar.
     Um combo de puro amor, principalmente ao ver seus três principais elementos misturando-se dentro de mim ao receber o seu abraço. Mas não qualquer abraço. Não há inocência, mas também não há malícia. Não há tristeza.
     E depois de ter você, pude perceber que os outros tornaram-se apenas outros, e só.
     Não quero mais ouvir outras piadas e nem sentir outras fragrâncias. Não quero observar outro corte de cabelo. Não quero estar no banco do passageiro de outro carro. Não quero outra mão puxando pela minha. Não quero ver outros filmes que não os nossos. Não quero outras formas de se vestir, de andar, de viver. Não quero outro colo pra descansar.
     É você, desde o primeiro olhar e até a última respiração."

Amanda Pacheco

No teu corpo eu fui chuva

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

     "São 02h47 e eu ainda não consegui dormir. Já comi, já li, já escrevi e nada me fez ter sono, nem mesmo a tevê ligada com o volume quase no zero que sempre me fazia adormecer. Já devo ter tomado uns quatro sachês de chá e nada, ainda. 
     Agora são 03h00 e a única coisa que eu consigo ver é você. Tudo o que eu comi foram as coisas que você gosta, tudo o que eu li foram os livros que você lê e tudo o que eu escrevi era relacionado a você. Até meus quatro sachês de chá eram da sua marca favorita. Será que você não poderia aparecer por aqui pra poder me esquentar nessa chuva tão forte que cai lá fora? Me sinto tão sozinha longe de você, que é como se cada gota de chuva que escorre lentamente pela janela do apartamento 117 do primeiro andar pudesse materializar-lhe. E assim mesmo, acompanhando as gotas da chuva e tomando um chocolate quente com canela, eu vou ligar pra você pra dizer o quanto você me faz falta e o quanto queria te ter aqui, pertinho de mim, para poder recostar-me sobre seu peito nu aquecido pelos meus cabelos desgrenhados de tanto você passar a mão. 
     Queria ter você aqui pra poder sentir aquele abraço que por uns segundos me faz ver o mundo parar. Queria seu cheiro grudado nos meus braços porque eu não consegui largar você um segundo desde que você apareceu. Queria você aqui para eu reclamar dos chocolates que você trouxe. 
     E eu liguei. E chorei no mesmo momento que ouvi sua voz aveludada dizendo-me que não poderia mais estar aqui. Chorei que nem criança, mesmo, porque isso não poderia ser possível. O que seria de mim agora, nessa madrugada longa e fria. Quem ia ser o herói que mata as baratas e salva o meu dia? Eu chorei por pensar em você só, nunca quis te ver solitário, e nunca quis que você fosse de mais ninguém.
     A melhor parte da madrugada foi ver que você mais uma vez me fez chorar em vão, porque são exatas 04h23 minutos e a maçaneta da porta se mexeu enquanto eu estava afogada nos travesseiros assistindo aquelas comédias românticas que você julga serem uma besteira. Nem reparei que você tirou os chinelos quando entrou (o que eu sempre mando você fazer e nunca faz), porque eu estava muito ocupada tentando decifrar seu sorriso segurando uma barra do nosso chocolate preferido. Não sabia se eu queria abraçar-lhe ou matar-lhe, ou se na verdade queria matar-lhe de abraços. Só consegui puxa-lo pela camisa e beijar-lhe com a saudade que estava me sufocando. 
     Como foi bom sentir sua mão me abraçando e acalmando a tempestade que havia em mim, como foi bom sentir a sua respiração atravessando o meu pescoço. Agora a chuva é só do lado de fora, porque no teu corpo eu fui chuva, que foi um ótimo jeito de me encontrar, de me deixar viver."

Amanda Pacheco

Admiradora profissional

sábado, 5 de outubro de 2013

     "Não te direi quem sou porque não quero mesmo que você saiba. Talvez se você soubesse quem sou jamais continuasse a dar aquele sorriso torto todas as vezes que vê no display do celular a chamada da sua mãe, ou então você parasse de empurrar o cabelo pra cima quando se sente desconfortável com alguma situação.
     Posso dizer que ultimamente meu hobby é desvendar a cor exata dos seus olhos (ainda tenho dúvidas se é cor-de-mel ou apenas um castanho claro que quando recebe luz alta torna-se a mais perfeita vista). Posso dizer que ultimamente me contive em ficar observando apenas o movimento do lápis dançando pelos seus dedos quando você está com os fones ouvindo sua banda preferida. 
     Posso dizer que sim, sou uma admiradora profissional. Sua admiradora profissional. Digo-lhe até que sei o momento exato em que você vai falar como o dia está quente ou quando vai sair aquele jogo novo. Mas não é isso que eu observo todos os dias, sentada no mesmo lugar: eu me esforço em olhar sua alma e toda aquela simplicidade que você julga irrelevante quando alguém te elogia. Olho todas as vezes que você pega um item caído pelo chão e, não importa de quem seja, você devolve. Eu olho a maneira como seus lábios se movem e se estendem num sorriso (branco e alinhado) quando você dá bom dia as pessoas. Olho aqueles óculos que escondem um pouco do seu olhar repressivo ao ver alguém triste. Eu olho pra você e ouço sua voz suave e atraente me dizendo sobre o que eu devo fazer.
     Não, não é amor. Jamais será amor. Acredito que seja mesmo admiração, no fim das contas. Porque se fosse amor você já teria descoberto minha identidade, se fosse amor eu não estaria contente ao ver você sorrir. Se fosse amor eu faria de você o mais lindo do mundo. Como se precisasse transformar você no mais lindo do mundo, que bobagem, esse posto já é seu! Como não pude perceber antes? Seu cabelo castanho combina com seus olhos castanhos e com sua boca estendida num sorriso branco e alinhado e a pele levemente morena. Você é perfeito! Talvez não seja pra outras pessoas, e quem se importa? Eu o tornei perfeito. Perfeito pra mim.
     A quem eu quero enganar, mesmo? Eu te amo desde a primeira vez que ouvi sua voz pronunciando meu nome. Amo desde o seu físico até o seu maior medo. Te amo em todas as horas que você viver. E continuarei te admirando com o passar do tempo. E não me importo se você tiver outra pessoa, juro. Quero apenas sempre ver seus lábios se estendendo um branco e alinhado sorriso.
     Mas eu não te direi quem sou porque não quero mesmo que você saiba..."

Amanda Pacheco

Meu doce platonismo

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

   
  "Por uns minutos eu pensei em desistir de você. Te deixar pra lá e não procurar mais nenhum tipo de notícias suas. Juro que teve um curto espaço de tempo em que eu pensei em te deletar da minha vida, fingir que você nunca existiu. Mas que ato de insanidade o meu, não? Não dá pra desistir de você, meu amor. É em você que eu penso todos os dias antes de dormir e imediatamente após acordar; em você eu penso todas as vezes que me alimento ou canto no chuveiro. Em você eu penso todos os dias em que vejo o sol majestosamente se escondendo no vago espaço do horizonte. Em você eu penso ao ver as ondas do mar se chocando contra a areia como se dela esperasse uma resposta.
     E tem como desistir da sua pele branquinha e das vezes que ela fica vermelha porque você se envergonhou? Ou como desistir da sua barba mal feita que deixa-lhe com aquele ar maduro e esconde a ingenuidade do seu sorriso? Como posso ousar desistir das suas piadinhas mal feitas ou daquelas cócegas que me livram de qualquer mau-humor? Eu nem sei como pensei em abandonar suas mãos fortemente calejadas que me prendem sem nem precisarem encostrar em mim. Você deve saber que me prendeu apenas ao meu olhar e desejar meu bem; sem nenhum tipo de coação, te entreguei meu coração sem nem precisar insistência. Queria que você soubesse o quanto eu desejo seus lábios próximos os meus e o quanto estar perto de você sem te abraçar é difícil pra mim. Diria até que minha luta diária. Como é possível alguém te olhar e não te querer? Não pensar no abraço de urso que você deve ter. Eu devo te amar tanto a ponto de suportar a dor de não te ter. Ainda. Eu sou capaz de esperar cada dia da minha vida por você. Sou capaz de olhar nos seus olhos e pensar em nós no futuro. Eu sei que sou capaz de ver você amando um outro alguém. Mas eu espero, pacientemente. Um dia eu direi a você tudo o que eu já senti e veremos que valeu a pena."

Amanda Pacheco

O branco no preto (e vice-versa)

terça-feira, 2 de julho de 2013

   
 "Eu e você somos duas pessoas totalmente distintas, e isso é normal pois todos são assim. Eu e você estamos sendo perfeitamente traduzidos quando Dinho Ouro Preto diz "Nós somos como o quente e o frio. Tão perto e tão longe...", somos traduzidos enquanto eu prefiro noite e você dia. Somos a noite e o dia, o céu e a terra, a lua e o sol. Nós somos como cão e gato, gato e rato. Inconstantes, somos quem queríamos ser e vemos um no outro o que não queríamos ver. 
     Nós somos forte e fraco, fraco e forte, mas nunca ambos fortes ou ambos fracos. Astrólogos, numerólogos, supersticiosos e derivados diriam que nós somos o bem e o mau (nessa parte eu discordo, pois não há maldade em você de forma alguma e em mim muito menos) e que o nosso destino foi escrito nas estrelas (ou búzios, cartas, tarô e tudo isso que algum dia a gente se pergunta se existe).
     Nós somos como frio e quente, mordida e assopro, doce e  amargo, MPB e heavy metal, beijo e tapa.
     E que beijo.
     Se eu te disser que a sensação ao te beijar foi a de apagar um incêndio quilométrico, você acredita? Somos água e fogo, também.
     Somos amor e ódio. Os opostos mais comuns e que caminham lado a lado. E porque não ter um pouco de cada?
     E como se já não bastasse todos esses opostos, nós fomos feitos um para o outro.
     Não me pergunte se isso é possível, mas aconteceu. Não deu (e nem vai dar) pra esquecer aquele nosso primeiro beijo, aquele onde nossos corpos encontraram a temperatura ideal. Você muito frio e eu muito quente, mas em perfeita sintonia.
     Desacreditaria que essas coisas podem acontecer se eu não te amasse. Se eu não amasse cada fio de cabelo e cada centímetro do seu corpo. Eu desacreditaria se você não fosse o amor da minha vida ou se não me acalmasse todas as vezes que eu choro por motivos que você julga inúteis (mas um contrário nosso). Desacreditaria na possibilidade de os opostos se atraírem se (além da física) você não tivesse me provado isso. Eu desacreditaria se você me dissesse que era mentira.
     Mas eu acredito. Nós dois somos opostos e nos atraímos. E dessa atração sai uma faísca vez em quando, mas nada que um bom e neutralizador abraço não cure. 
     Você é o oposto que eu não queria ser, mas que eu não gostaria de viver sem."

Amanda Pacheco

Te esquecer e lembrar de mim

quarta-feira, 12 de junho de 2013

"Não me venha com desculpas, porque amor quando acaba não pode mais consertar. Eu não quis que fosse assim, não quis jamais perder o carinho que tanto lutei pra conseguir. Eu não quis que fosse assim. Não quis chorar, não quis sofrer, não quis te odiar. Eu não queria ter que devolver seus pertences e jogar fora o que tinha o seu cheiro (jogar fora mesmo, pois o cheiro já se tornara psicológico).Eu realmente não quis esquecer o seu cheiro, aquele que eu reconheceria entre os mais variados e apurados aromas, seu cheiro pra mim talvez representasse a mais bela flor, aquela cujo a beleza a gente cheira. Eu não queria me obrigar a esquecer a característica que lhe é peculiar; o seu sorriso. Não quis esquecer essa marca que me ganhou.
Eu não queria apagar da memória todos os momentos em que nos tornamos uma só pessoa. Não quis esquecer das suas piadas sem nexo nenhum, mas que me faziam rir. Eu não quis esquecer o calor do seu abraço e a sua mania de guardar todos os bilhetinhos que te escrevia.
Nem tudo é como queremos, tive que te deletar de mim. Foi brusca a maneira como o fiz, mas consegui chegar no meu objetivo: ser feliz sozinha. Não precisei mais ouvir o barulho do seu carro pra sentir o coração disparar; nesse momento, apenas estar lendo o meu livro preferido já me fazia melhor.
Eu não quis esquecer você, não quis deixar pra trás o que talvez fosse a mais bonita história de amor que eu já tinha vivido.
Mas de que adianta estar afogada em lembranças que não me valerão de nada? Perdoe-me, mas eu me amo acima de tudo. Todo esse martírio não vale a pena, não pra mim. Eu não tenho necessidade de você, eu posso esquecer.
E foi isso que fiz, lembrei que eu sou a pessoa mais importante nessa história. Eu que não mereço sofrer o que sofri. Não mereço perder noites de sono. Não mereço pensar mais em você. E não farei mais isso. Tenho dito"

Amanda Pacheco

Não dá mais

terça-feira, 7 de maio de 2013

        "É fácil se arrepender e voltar com flores e muito amor depois que o ato foi cometido. Fácil pedir desculpas e querer que tudo volte a ser como era antes. Mas o que você talvez não saiba (e nem sinta) é a dor que eu senti, a má sensação, a vontade constante de chorar. Talvez você não saiba das noites que eu perdi e nem da quantidade de vezes que precisei sorrir quando na verdade só queria chorar.
         Você não deve nem ter ideia do quanto aluguei as minhas amigas pra falar de você enquanto elas afagavam minha dor. Tive uma vontade grande de te matar por você ter feito o que fez. Sinceramente, quis que você morresse. Mas me contive em te dizer apenas que acabou, que não há outra saída a não ser acabar.

        E agora você quer mesmo voltar e fingir que nada aconteceu? De verdade? Ponha-se no meu lugar, meu amor, veja a falta de respeito que houve da sua parte e me diga se você gostaria que eu tomasse essa atitude. Não seja hipócrita e não faça comparações. Apenas se pergunte.
        Ainda assim você quer voltar, mas sabe que não daremos mais certo, pois o carinho, a cumplicidade e principalmente a fidelidade foram perdidos. Meu amor, como eu gosto de você, como eu queria que nós dessemos certo. Como eu queria que nosso namoro fosse sempre naquele bom clima do primeiro beijo, ai como eu queria! Acho que nos perdemos no meio do caminho e agora não há mais condições de nos achar pois já se consumou o que eu mais temia. Não adianta mais "chorar sob o leite derramado".
        Queria que você soubesse que eu já parei de ouvir nossas músicas e frequentar nossos lugares e dormir em nossos lençóis. Parei de sentir seu cheiro e já me acostumei com a ausência da sua mão entrelaçando a minha. É difícil dizer mas agora não dá mais, me parece que você não pensou em mim e agora é minha vez de parar de pensar em ti. Diferente da sua atitude de não pensar em mim por apenas uma noite, eu deixarei de pensar em ti de uma vez por todas. O clichê de "foi bom enquanto durou" encaixa-se perfeitamente em nós e você, mais do que ninguém, sabe o quanto me fez feliz. Mas não dá mais.
        Adeus."

Amanda Pacheco

Pocket post

quarta-feira, 24 de abril de 2013



  "Quem é você e o que você havia se tornado, por Deus? Sem serenidade nenhuma no olhar, você havia se tornado o que eu temia. Você havia se tornado algo que não era mais meu. Seus lábios que possuíam um vermelho intenso natural haviam sido trocados por um branco ressecado, da cor de sua pele que já não era mais bronzeada e macia. O que estava acontecendo? Parecia tão frio que estava se tornando um estranho.
Seu peito já não me parecia mais familiar, talvez porque seu coração não fosse mais familiar. 
    Eu já não sentia nossos corações em sintonia e nem queria mais que isso acontecesse. Já me sentia mais distante e nem te procurava mais pra saber se você estava bem. Com tantos problemas, eu já nem me importava mais se você havia tomado os remédios ou se estava se alimentando bem, eu apenas queria você longe de mim. Estranhamente, eu já não ficava esperando que você ligasse e muito menos queria que o fizesse. Apenas queria você em seu lugar, se este fosse longe de mim. O que era familiar, acabava de tornar-se estranho e o mais engraçado de tudo isso era que eu já havia me adaptado a essa mudança. 

   Talvez eu tivesse me tornado a estranha."

Amanda Pacheco

De poeta eu tenho um pouco...

segunda-feira, 8 de abril de 2013




"E no meio de tanto pesadelo
Eu não conseguia me mexer
Teu olhar cruzava o meu
E tu não conseguia aparecer

Tentei até acordar
Pra sentir tua respiração
Mas agora era tarde
Tu tinha saído da minha imaginação

E agora?
O que fazer, Deus?
Como vou viver
Se teus laços não se enroscam mais nos meus?

Agora é hora de acordar
E chegar em mais um domingo
E ver que tudo não passou de um pesadelo
Você está comigo."

Amanda Pacheco

Mutilação

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

"Foi difícil, mas aos poucos consegui ir arrancando cada parte de você que havia em meu corpo.
Primeiro os braços: aqueles braços que só serviam pra afagar tuas dores e pra abraçar-te quando você dormia. Os braços no sentido figurado, os que só serviam pra te acariciar e colocar seu cabelo pra trás quando o mesmo caia no olho. Aqueles braços que eu fiz questão de envolver no seu corpo quando você voltou de viagem.
Depois as pernas: as minhas pernas que só caminhavam junto as suas. As pernas que se envolviam nas suas na hora em que íamos dormir. Aquelas pernas que você costumava massagear enquanto assistia o seu filme favorito. As pernas que você adorava elogiar o quanto são lisinhas.
Depois foi a hora de mutilar a boca: Uma boca que só servia pra te dizer o quando você era especial pra mim e o quanto eu amava estar ao seu lado. A boca que te beijava. A boca que tocava o seu pescoço enquanto minha cabeça estava encostada em seu ombro. A boca que te fazia bem
Era hora dos olhos: não sei porque mas os olhos foi a parte mais difícil, afinal, era por eles que eu podia admirar a sua beleza. Era através dos meus olhos que eu percorria cada centímetro do sorriso mais lindo que o mundo já contemplou. Através dos meus olhos eu podia acompanhar cada passo seu, cada reação e cada olhar que se cruzava com o meu. Não queria me desfazer dos olhos que compreendia cada vontade sua, não queria mesmo. Mas como era necessário, fiz.
Agora era a vez do nariz: um nariz perito no seu cheiro. Aquele que reconhecia que você se aproximava há quilômetros de distância, aquele que percorria sua nuca pra decorar seu cheiro. Consegui, mas era hora de acabar com isso.
E por último, mas não menos importante, chegou a vez do coração: meu Deus, como fazer pra arrancar de mim um coração que batia por você? Aquele coração que doía tanto se você não ligava, ou se reclamava. Um coração que era seu, somente seu. Como é que eu iria arrancar aquele coração que estava em sintonia contigo em todas as horas que eu deitava sobre seu peito? Rezei muito pra conseguir me separar por inteiro de você.
No fim das contas, o que eu estava me tornando era apenas eu. Sem você. Meus atos só falavam sobre mim, eu só dependia de mim pra chegar ou sair. Depois da mutilação de você, notei que ser apenas eu valia muito mais a pena. Só assim eu conseguia ser 100% eu. E mais ninguém. E era isso que eu queria."

Amanda Pacheco

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

"Você não sabe o quanto eu me esforcei pra hoje estar aqui, sorrindo. Não sabe quantas lágrimas tive que derramar pra que agora pudesse estar falando sobre você. Você não sabe o quanto foi difícil ter que segurar o choro enquanto via você distribuindo felicidade. Você não sabe o quanto me fez sofrer, o quanto eu precisei juntar forças pra não ficar no fundo do poço. Você não sabe que precisei rezar muito pra te esquecer. Você não sabe o quanto chorei no travesseiro. Você não sabe que deixei de escutar músicas que amava, mas que lembravam você. Você não sabe quantas vezes deixei de me divertir porque não conseguia tirar meus pensamentos de ti. Você realmente não sabe o quanto eu quis apenas poder voltar para os seus braços. Mas você não sabe como foi doloroso ter que me desfazer dos seus pertences que ficavam na minha casa. Você não sabe. 
E agora você acha que é simples chegar aqui como se nada tivesse acontecido? Você realmente acha que vai ser fácil abrir os braços e dizer que eu não via a hora da sua chegada? Depois de todo esse esforço você ainda acha que é o centro das minhas atenções? Sinto muito querido, mas seu tempo já acabou. Sua oportunidade de me fazer feliz não existe mais, meu amor. Pare de olhar pra si e olhe ao redor e veja o quanto as coisas mudaram. Não sou mais aquela ingênua apaixonada que você deixou pra trás sozinha, não é? Minha cabeça mudou, minhas ideias mudaram, eu mudei. E devo isso a você. A todo o rancor que consegui acumular. Rancor sim, lógico que há rancor de quem me fez sofrer.
Agora você quer mesmo voltar? Agora que viu que ninguém te amaria mais que eu? Agora que lembrou de uma mulher que sempre fez de tudo pra te ver bem? Acho que você voltou na hora errada, há uns meses atrás talvez eu até aceitasse seu retorno, feliz até demais. Mas agora que eu coloquei minha vida no lugar novamente você quer retornar? Criei uma coisa boa que comumente é chamada de "amor-próprio", e ele me ensinou que o passado não pode interferir no presente. Estranho né? Aposto que você pensou que agora estaria dentro do afago do meu abraço, mas não está. Você já se deu conta de que fez besteira? Nessas horas é bom parar e fazer análise de consciência. Pra pensar que era pros meus braços que você corria. Que era no meu colo que você adormecia. Que era eu todo o tempo alisando seu peito enquanto você tinha crise de asma. Era eu. Você preferiu se aventurar por aí, sem rumo.
É até engraçado pensar que agora você quer voltar. Depois de tanto tempo longe você quer que as coisas voltem a ser como eram antes. Sinto muito, querido. Agora quem não quer se envolver sou eu, estou muito feliz me relacionando com quem me merece. Eu e meu amigo "amor-próprio" não queremos mais você. Um beijo!"

Amanda Pacheco

Happy end

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

"(...)Eu me sentia como se estivesse despencando de um abismo.
Todos os dias, ao acordar eu podia presenciar aquele sorriso lindo, cheio de vida e de amor pra dar. E eu fazia questão de retribuir, na mesma intensidade. Éramos perfeitos. Um cuidava do outro, queria o bem, chorava junto, ria junto. Era tudo junto. Era como se nós fossemos um só. Eu sentia como se fossemos um só. Nós saíamos e voltávamos juntos, sabíamos dos problemas um do outro e os enfrentávamos juntos. Cada dia mais eu te amava e queria estar perto de você. E parecia que essa era a sua vontade, também, então eu não me importava de me entregar de corpo e alma pra você. Tínhamos várias canções que diziam muito sobre nós e de vez em quando até trocávamos umas surpresas.
Com o tempo, já não me importava mais sobre aonde você estava e com quem estava, eu apenas confiava em você e sabia que ao final de cada dia você ia chegar me contando tudo o que tinha passado em tal dia, como sempre fazia. E você sempre chegava. E sempre me contava. E sempre, antes de dormir, me beijava a  testa e dizia baixinho, entre o beijo: te amo. Fui me acostumando com essa rotina e sempre esperava você dizer que me amava pra que eu dormisse. E você dizia, diariamente entre o beijo: te amo. Comecei a perceber que os príncipes sim, existem. Já era sua. Meu coração era inteiramente seu, não sei se seria capaz de viver emocionalmente sem ouvir o meu "te amo" diário. Mas eu não tinha mesmo que me preocupar com isso porque eu já havia me acostumado com a ideia de que teríamos o nosso happy end. 
Mas, como nada dura pra sempre, lentamente senti você desgrudando de mim, ainda achando normal pois nosso grude já envolvia anos e mais anos. Eu pensava que era normal você não estar colado em mim vinte e quatro horas por dia. Eu não percebi que realmente você vinha se afastando de mim. Que você já não me dava mais satisfações de onde estava e de que horas ia chegar. Eu me lembro bem que chorava feito uma criança quando você não estava em casa pra me dar um beijo de boa noite na testa seguido de um "te amo". Aos poucos notei que já não era normal esse seu sumiço. Mas foi tarde demais. Quando me dei conta que você estava escorrendo por entre meus dedos, você já estava de frente pra mim me dizendo que o que havia entre nós dois tinha que acabar. Não sei bem quais foram suas palavras porque eu não queria mais ouvi-las. Não gritei, não me descabelei, não implorei pra que você ficasse. Eu comecei a acreditar que era o fim do meu happy end.
Mas eu me sentia como se estivesse despencando de um abismo."

Amanda Pacheco

Só hoje...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Hoje, de forma alguma eu quero externalizar minha felicidade, não quero que ela seja destruída pela inveja que atualmente é tão constante e atenuante. Hoje quero que minha felicidade seja só minha, e de mais ninguém, não quero compartilhá-la nem com minha sombra para que não haja o risco de perder todo o encanto que tal felicidade está me proporcionando.
Hoje, talvez eu queira me tornar sua. No silêncio que abafa minha felicidade, quero que ela apenas aumente ao seu lado;quero que você seja o primeiro a aproveitar esse meu momento plenamente e silenciosamente feliz. Admito que hoje foi um dia surpreendente pra mim. Hoje foi um dia em que você conseguiu mover o canto dos meus lábios  quando nenhum outro alguém havia conseguido. Falar com você trouxe paz ao meu coração; me deu uma calma que nem o mais poderoso calmante teria dado. Hoje eu vi que ter um pouco de você a cada dia me faz sorrir. E é isso que eu realmente quero. Que a cada dia eu possa ter mais de você e vice-versa. Que nós dois possamos estar juntos e que o doce das suas palavras contamine meus amargos pensamentos quando eu estiver num dia como hoje, estressante. Que eu possa morrer de rir enquanto você morre de ciúme. Que possamos nos entender como ninguém mais nesse mundo consegue. Que nossos abraços sejam eternos e que nossos lábios não queiram se separar jamais. Que sejamos doce (como já diria o meu querido Caio Fernando Abreu). Que seja doce nossa troca de olhares todas as vezes que nos encontrarmos (se for como a primeira vez, melhor ainda!). Que nossos defeitos se completem assim como as nossas qualidades o fazem. Que sejamos certos um pro outro. Que sejamos saudade.
E por falar em saudade... Que saudades suas. Uma saudade com sabor de satisfação por ver que você não entrou no meu caminho em vão. Então, só o tenho a dizer num dia atordoado como o de hoje é um grandessíssimo obrigada. Não saia da minha vida."

Amanda Pacheco

Você vai ver que nossa história tá só começando

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Dizem que quando é pra dar certo, tudo conspira. E conspira mesmo! Quem diria que o meu olhar e o dele se cruzariam tão intensamente a ponto de nos "apaixonar" meio que instantaneamente. Ali, naquela festa, eu acreditei que a paixão vem sem nem a gente esperar... Sem nenhum tipo de falsidade ela nos toma, e invade nossos pensamentos e tira conclusões que nós - em momentos de plena lucidez - jamais seríamos capazes de tirar.
A paixão chega arrebatando com as nossas falsas promessas de "dessa vez eu vou ser mais centrada". Ela chega mostrando que não é assim que as coisas funcionam. Eu me rendo!! Fui completamente vencida pela paixão e hoje me encontro no estado mais lindo de todos. Eu estou carinhosamente sendo cativada e estou amando isso. Cada vez estou mais envolvida com quem me cativa. Ele me cativou e me provou que não é necessário o tempo, mas sim a intensidade. A intensidade daquele olhar que só eu e Deus sabemos como descrever a batida do coração no momento em que cruzamos olhares.
Como o destino é hilário! Quem diria que eu seria retribuída. Pensei eu que isso não passaria de um singelo platonismo. Mais uma vez fui enganada pelo mesmo hilário destino, mas de uma forma boa, claro. 
E com essa paixão indomável, eu precisei apenas ver você sorrir pra passar a semana inteira lembrando do quanto eu queria estar com aquele sorriso perto de mim, e não apenas na minha memória. Minhas amigas já começaram a notar que eu não brinquei ao dizer que eu realmente tinha sido cativada por um sorriso. E a cada dia que se passa eu me sinto mais amarrada, pelo simples fato de não conseguir segurar a vontade de estar enchendo-o de carinho o tempo inteiro, sem pausas. Mesmo que soe engraçado ou precipitado, é verdade.
Estranha mesmo é essa sensação nunca ter percorrido o meu corpo em outras situações. Logo eu, que sempre me deixei envolver tão fácil... Nunca senti tanta necessidade de escrever sobre ele. Seria capaz de descrever detalhadamente cada sentimento que passou pelo meu coração ao ler as palavras mais lindas do mundo ali, escritas pra mim.
Dessa vez, não vou falar nada e nem interferir. O destino quando quer fazer faz e faz bem feito e somos a prova disso. Antes mesmo da interferência de terceiros nós já tínhamos nos interpretado. Nos envolvemos antes mesmo de estarmos envolvidos. Gostamos um do outro sem maiores perspectivas. E eu espero que isso só aumente e que as coisas continuem sendo lindas, do jeito que estão.
Hoje eu só tenho a agradecer. Primeiro a Deus e segundo a àquele que é o culpado por me fazer perder algumas horas de sono só por não conseguir parar de pensar nele. E só peço ao destino pra que dê certo se for pra que nós dois sejamos felizes. Só rezo pra que, a cada encontro, nossas emoções sejam correspondidas. Rezo pra que esse seu cheiro não desgrude nunca da minha pele e que a lembrança do seu sorriso não escorra da minha memória. Nunca mais."

Amanda Pacheco

(Sobre)vivendo

terça-feira, 6 de novembro de 2012

"O coração dela gritava por socorro. Cada vez que seus olhos percorriam aquela folha que dizia "Me deixe em paz, vou viver a minha vida, você não é o bastante pra mim", as lágrimas escorriam como escorrem do rosto de uma criança que se perde da sua mãe. Eu a entendo, sei como a dor de ter a perda de um grande amor.
Todas as vezes que acordava, ela pensava nele, e como se já não estivesse satisfeita, lia e relia aquele papel (que agora era marcado de lágrimas) em busca de uma resposta para aquele fim que aparentemente não chegaria nunca. Eu, que vi as coisas acontecerem, pensei que ela fosse morrer. Já não sorria mais e nem se importava se as coisas estavam certas ou erradas. Foi a primeira vez que vi alguém sentir tanta falta de outrem. Seus cabelos desgrenhados sobre o rosto nos diziam que ela não sera mais nada e que não seria nem capaz de se impor com um mínimo de dignidade. Ninguém mais a via com aquele sorriso de felicidade, aquele sorriso que dizia que as coisas estavam em plena ordem. O máximo que se conseguia vez em quando, era um meio-sorriso que dizia "me deixe em paz/eu não quero falar sobre isso". Foi se afundando em lágrimas a cada dia que se passava e, com o tempo foi ficando dependente daquele ex papel branco. E lia como se aquilo fosse uma piada e a qualquer momento ele apareceria com flores e diria que aquilo não passou de uma brincadeira de mau-gosto. Mas isso não aconteceu e ela se fechou em um universo que mais ninguém conseguia entrar. E ao seu redor as pessoas e as coisas iam se perdendo, decaindo. Aquilo não podia continuar do jeito que estava, ela ia terminar morrendo em matéria (já que o seu espírito estava quase morto, mesmo). 
Até a própria já havia percebido que sua atitude de morrer pro mundo era errada. O tempo foi passando e um belo dia ela resolveu abrir sua caixa (lotada) de e-mails, e descendo a barra de rolagem sem vontade nenhuma, achou um e-mal de uma boa e velha amiga, convidando-a para uma viagem do grupo de amigas que há muito não trocava palavras. Se surpreendeu quando sentiu a vontade de aceitar o convite. Aceitou, mas ainda com o receio e com a falta de ânimo de se preparar e tirar o carro da garagem, no entanto viu que era necessário fazê-lo. E fez.
E o tempo foi curando-a, e quando se deu conta, estava rasgando aquele papel molhado e amassado que havia praticamente destruído sua vida. Estava aos poucos se livrando daquela dependência do vazio. Depois, voltou a responder todos os e-mails e voltou a sair e se relacionar com novas pessoas. Ela, numa reviravolta surpreendente, voltou a sorrir e a falar tranquilamente a respeito do assunto. Já não se importava mais com ele, nem sequer pensava no mesmo. 
O tempo a ensinou que sobreviver não era tão agradável, então ela preferiu viver. E foi feliz. Seu sorriso voltou a transmitir felicidade. E da última vez que a vi, soube que já tinha até um novo amor.
Nesses dias, pensando nessa história, tive a certeza de que nada é tão ruim que não possa (re)começar e se (re)inventar."

Amanda Pacheco


Observação: A foto é minha, mas o texto não tem NENHUMA RELAÇÃO COMIGO. Obrigada

Vontade de bater na tua porta e te dizer: Você me faz feliz demais!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012


"Eu acho que a expressão "estou feliz" é tão pequena e tão impactante, não é? Estar feliz é sinônimo de estar em harmonia com uma série de outros fatores aleatórios. É estar em paz consigo e com o resto do mundo. Estar feliz não é necessariamente sinônimo de estar sorrindo, não confunda as coisas. Estar feliz é sinônimo de querer bem a qualquer um que cruze a sua vida, o seu caminho, mesmo que você esteja sorrindo ou não. Estar sorrindo, na maioria das vezes, significa estar escondendo uma dor que não pode ser revelada ou estar insensívelmente esperando uma alegria (ou não, você pode estar sorrindo por estar feliz, mesmo).
Há quem diga que anunciar felicidade desperta inveja, raiva... Mas quem liga? Que história é essa de inveja e raiva pra quem tem Deus no coração? Acho mais é que felicidade gera felicidade, quanto mais você dissemina um sorriso sincero, mais sorrisos sinceros serão atraídos pra si próprio.
Ando muito feliz por ai, sabe? Minhas conquistas, meus amigos... Ando feliz por ver que tudo está se encaminhando pra você. E cá estou eu falando sobre você, de novo. Você que tá me fazendo feliz apenas por existir. Ando muito feliz por ter você transbordando-me com cada palavra que me diz. Ando feliz por nós dois estarmos dando certo como eu jamais esperei. Ando cada vez mais sorrindo pra qualquer um que passe na rua, porque cada pessoa que eu vejo tem um pouco de você. Alguém sorri como você ou anda da mesma forma, alguém que tenha uma voz parecida ou um olhar absurdamente igual, alguém que tenha o mesmo corte de cabelo ou que use o mesmo perfume. Acho que as pessoas têm muito de você... Ou talvez eu esteja pensando tanto em ti que eu consigo encaixar as suas características nas pessoas que cruzam o meu caminho. Deve ser porque eu não consigo parar de querer você comigo. Eu quero tanto ter você, entende? Eu me sinto numa espécie de terapia quando vejo você aonde não tem. Acho que lembrar de ti assim é mais relaxante do que ter apenas lembranças. Tudo bem que dá mais saudade, mas é mais divertido pensar que podia ser você, ou que a qualquer momento nós vamos nos cruzar e vamos ter aquela surpresa de "Oi, tudo bem? Você por aqui?! Que saudade!" e vamos nos calar num abraço que seria impossível pra um termômetro registrar o calor. 
Então, ando feliz por planejar contigo. Ando feliz por ver você feliz. Ando feliz por pensar que nós podemos fazer um ao outro felizes como jamais fizemos outro alguém. Eu ando disseminando felicidade por ai. E que Deus me proteja da inveja e da raiva, porque calar minha felicidade vai ser difícil!"

Amanda Pacheco

Sem mais

terça-feira, 23 de outubro de 2012

"Eu sei e você sabe o quanto fomos importantes um para o outro, o quanto nosso relacionamento nos fez bem e o quanto aprendemos mutuamente. Mas, na vida, nem tudo são flores e nem tudo pode dar certo, e assim como acontece com várias pessoas, aconteceu conosco. Nosso relacionamento (que eu julgava ser eterno), acabou-se num ímpeto que nem eu sei explicar. Senti muita dor emocional e achei que jamais seria a mesma. Várias pessoas pensam assim e nenhuma delas morreu até agora, porque justo eu morreria?
Eu sei e você sabe o quanto eu era louca por você e que eu faria de tudo pra te ver feliz, sorrindo, daquele jeito que só eu sabia fazer você sorrir. Nós pensávamos que prosperaria assim como todo mundo pensa. Mas não prosperou. E se você pensa que a fila não anda pra mim, mas anda pra você, enganou-se. Você teve o direito de me fazer feliz (e fez), mas outra pessoa pode fazer o que você não fez. Um outro alguém pode invadir meus pensamentos de um jeito tão anormal que faça eu te esquecer, ou que faça eu até me esquecer. E eu quero, sinceramente, que isso aconteça. 
Quero alguém que me deixe pensando num plural eterno e que me beije como jamais fui beijada. E que nossas mãos se entrelacem como um laço ideal. Quero alguém inteiro que me acrescente, não que me complete. Chega de complementos, quero mais é que sobre amor. Afinal, eu também queria que você me completasse, e você o fez, mas depois que foi embora eu voltei a ser metade. Quero mais é alguém que me segure pela cintura e me faça acreditar que as laranjas realmente tem metades iguais. Não quero alguém perfeito, mas quero alguém que me faça perfeitamente imperfeita. Quero alguém que brigue comigo e que ao mesmo tempo esteja sorrindo pra mim. Quero morrer de tanta felicidade a cada instante que estejamos juntos. Quero fazê-lo sorrir na mesma proporção em que estou sorrindo. 
Eu não quero mais lembrar de nós. Sei que lembranças boas não esvaem-se da memória tão fácil, mas eu prefiro lembrar de você apenas por lembrar, e não por não conseguir apagar as nossas lembranças, lembranças essas que podem fazer eu me sentir mal ou incapaz de ter feito alguém tão perfeito infeliz. E ficar pensando se outra pode fazer o que eu não fiz e se você gosta dela mais do que gostou de mim. Não quero que isso aconteça. Também não quero forçar uma amizade contigo. Essa historinha de que ex pode ser amigo é mentira. Se quer como amigo é porque ainda quer como amor e essa historinha de que não existe mais sentimento é pura enganação. Auto-enganação na verdade, porque querendo ou não, quando houver o encontro, ou a conversa, ou qualquer contato que seja, as lembranças voltam trazendo consigo a vontade de repetir tudo. É isso que acontece entre nós. Eu ainda sinto aquela sensação de coração disparado que eu sentia quando nós paquerávamos. 
Que sensação boa era aquela de borboletas no estômago. Mas como temos que nos acostumar com o fim, acabamos. Nós dois juntos e separados acabamos. Acabamos tudo, até um com o outro. Acabamos com vontade de recomeçar, mas acabamos. E não tem volta, acho uma coisa muito desgastante acabar pra voltar. Nunca é a mesma coisa e nem vale a pena. Mas é isso. Acabamos dispostos a não (re)começar. Só queria te dizer que de vez em quando eu penso que as coisas poderiam ter se encaminhado de outra forma e que nós poderíamos estar bem, mas depois eu deixo de pensar porque o destino sabe a hora certa e as pessoas certas. Tudo acontece como tem que acontecer. Espero sinceramente que você esteja bem e que consiga fazer alguém feliz tanto quanto me fez, porque eu também tentarei o fazer, não se preocupe. Não quero que me mande notícias ou que me procure, não quero mais saber de você. Seja feliz assim como eu estou sendo."

Amanda Pacheco

Quem tem amor na vida, tem sorte!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"Tudo é questão de sorte e o amor é uma delas. Amor é algo que envolve um pouco de tudo, mas principalmente sorte. Sorte de encontrar alguém pra chamar de seu e que ele desperte a mesma vontade, ter a verdadeira sorte de se sentir feliz com apenas um 'bom dia', ou um 'te amo'. Ter sorte pra ter alguém que te faça sorrir mesmo quando o resto do mundo só quer lhe ver chorando. É ter sorte pra ver muito de si em outro e vice-versa. Ser sortudo é ficar feliz com alguém, é ver que alguém está feliz por você. Ter sorte é ter um beijo que dura para sempre e um cheiro característico de amor, o cheiro dele. Ser sortudo é sentir segurança em um abraço, é abraçar no intuito de proteger.
Camões que me perdoe! Mas o amor não é nada do que ele diz, amor não é ferida que dói e não se sente e não é fogo que arde sem se ver. O amor não dói, não machuca, não incomoda. Sempre fui suspeita pra falar sobre esse tal amor, afinal, já disse que sou uma amante profunda do mesmo. Se Camões acha que o amor faz tudo isso, ele realmente não teve a sorte (olha ela ai de novo) de ter um verdadeiro amor. Camões deve ter morrido sem saber o sabor de um verdadeiro beijo apaixonado. Camões se apaixonou sem reciprocidade, tadinho. Se hoje, eu pudesse dizer-lhe algo, diria o quanto é bom o entrelaçar das mãos durante um percurso qualquer ou o quanto é agradável aquele beijo de saudade. 
Afinal, tem sorte maior do que ser feliz no amor?"

Amanda Pacheco

Tudo o que a gente precisa é tomar um banho de chuva!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Banho de chuva pra arejar as ideias, pra renovar os pensamentos, pra abrir o coração. Precisamos de um banho de chuva pra derramar os maus sentimentos e as más lembranças. Chuva lava, chuva renova, chuva esfria. Usando o sentido simbólico, podemos dizer que a chuva lava a alma, renova a sensação de querer-bem e esfria o ímpeto emocional daquilo que podemos chamar de paixão. As vezes uma paixão não correspondida pode se curar com um bom e infantil banho de chuva? Eu, particularmente, sempre fui fã da chuva. Sempre me pus a olhar as gotas lentamente escorrendo pelas casas e calçadas. Desde pequena, eu cresci sendo uma fã da chuva e não me chamem de louca por conta disso. Eu sempre acreditei que uma pequena dose de chuva pode acalmar uma grande quantidade de pessoas. Tanto fisicamente quanto emocionalmente. Pode não ser verdade, mas sempre vi pessoas calmas em tempos de chuva. Inverno? Uma maravilha! É o tempo onde eu mais me concentro no que realmente importa. E é disso que precisamos, de mais concentração, de mais inatividade. O mundo já está globalizado, tá na hora de começar a acalmar de novo. Chega de correria, de pessoas suando, enlouquecendo. Eu apoio um mundo com mais chuvas, mais mentes abertas, mais calma. Precisamos sim de um banho de chuva, precisamos voltar a infância pelo menos uma vez na vida. Ser criança de vez em quando não faz mal pra ninguém, ou pelo menos eu nunca ouvi uma contra-indicação pra isso. Siga meu conselho e algum dia, tome um banho de chuva e sinta suas ideias se renovando!"

Amanda Pacheco

Sintonia perfeita

sexta-feira, 27 de julho de 2012

"Era perturbadora a forma como se olhavam. Aqueles dois tinham uma química que só Deus explicaria (pasmem, mas nem eles conseguiam tal feito). Eram um encaixe perfeito. Se entendiam, se amavam, se completavam. Era um casal que dava inveja a qualquer solteirona e raiva aos amigos dele. Pareciam casal de filme, sem brincadeira. Era impressionante a forma como os dedos dela se encaixavam na nuca dele enquanto ele se preocupava com o comprimento do seu vestido. Não briguem comigo, mas eu era capaz de perder horas do meu dia observando a sintonia dos dois. Era hipnotizante, não era possível que aqueles dois não tivessem um defeito sequer. Ninguém conseguia observá-los (ou imaginá-los) brigando. Eles dois eram intrigantes e eu, sinceramente, poderia escrever minha tese de doutorado sobre aquela química perfeita. Ele a entendia apenas com uma troca de olhares e ela era comandada pelos sentimentos dele. Não conseguiam passar um dia sem se ver. Divinamente impressionante. Eu soube que os dois eram assim em casa também. Boatos dizem que nunca (nunquinha!) brigavam. Eu me desesperava em meio a tanta perfeição. Não era possível que em meio àquele mar-de-rosas (literalmente) não houvesse um espinho. E não havia, por mais que eu procurasse. Eu passei muito temo da minha vida preocupada em desvendar o segredo que supostamente havia através daquele olhar terno que ele a olhava. Queria saber o que aquela piscadela dela significava (além do óbvio, claro). Por favor, não pense que eu os seguia, não sou uma psicopata. Eles eram meus vizinhos e eu dedicava horas do meu dia os olhando enquanto se preocupavam com o banho do cachorro. Eles sabem o quanto eu os admirava (e de uma boa forma, os invejava). Sempre tinha aquela vontade de perguntar qual o segredo, mas eu sabia que nunca descobriria, porque nem os próprios sabiam. Então continuava a observar como ela cuidava dele. Lhe dava todo o carinho do mundo. Na verdade, ela o tratava como se ele fosse o seu mundo. E eu acredito que era mesmo. Eu já disse a vocês, eles se encaixavam. Até a forma como beijavam era diferente daquelas convencionais. Era um beijo só deles e que ninguém mais conseguia imitar. Era divertido ver a surpresa no olhar dela quando inesperadamente ganhava um buquê. Eles eram muito fofos, eram perfeitos juntos e individualmente. Ela, além de uma clara apaixonada, adorava cuidar do jardim e das crianças, além de ser um amor de pessoa. Ele, por sua vez, era um ótimo vizinho. Sempre sorria pra todo mundo. Acho que enfim descobri o segredo. Era felizes consigo mesmos, não esperavam do outro o que podiam encontrar em si. O outro apenas completava, fazia mais feliz. Era só isso que os fazia ter aquela sintonia perfeita que já durava anos. Era juntos consigo e mutuamente. Se não estavam confortáveis com uma situação,  eram claros em relação a isso. E era o que fazia tudo dar certo como se fosse mágica. Eram um modelo para todos ao redor (e pra eles, o redor nem existia no momento em que ela ajeitava a gravata dele antes de saírem). Eram únicos e per(feitos) um para o outro."


Amanda Pacheco






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